Ser mãe = não ser cool?

Ser mãe não precisa ser uma coisa careta, chata, coisa de gente “quadrada” ou “normal”. Aliás, convenhamos, ninguém é normal. O que significa “ser normal”? Algumas pessoas se convencem de que não vale a pena arriscar na vida e ficam com aquele desejo latente incomodando até o último suspiro, mas eu não creio muito nisso de que quem escolhe “seguir o script” é normal. De perto, ninguém é. Mas voltando ao assunto principal: ser mãe não é sinônimo de ser careta. Eu tenho uma amiga que é exemplo de mãe cool. Não parou de pegar baladas porque tem uma filha, não parou de viajar, não parou de correr atrás dos sonhos dela e continua se vestindo como alguém que está prestes a ir a um show de rock todos os dias. E, além de tudo isso, é uma pessoa muito bem resolvida. A filha dela não sofre porque a mãe dela não é uma pessoa tirada de um comercial de margarina ou de amaciante. Aliás, a filha dela é bacanérrima e se relaciona melhor com os adultos do que muito adulto por aí.

Ser mãe também não é sinônimo de ser uma tansinha que casou e engravidou para garantir uma vida boa com um marido abonado. Tenho outra amiga que revelou um dia desses que não via a hora de voltar para o trabalho quando o filho dela nasceu e, quando voltou, sua relação com ele só melhorou. Ela vê a carreira dela como a melhor forma de garantir uma vida tranquila para o filho. E olha que ela não é mal casada. Se quisesse, provavelmente poderia largar o emprego por uns tempos e ficar em casa com o filho. Foi a escolha dela, e provavelmente foi melhor para os dois. Nada pior que uma mãe ressentida em casa, com a sensação de que está “presa ao papel de mãe”.

Outra amiga, uma que ganhou neném há alguns meses, está no dilema do “ficar em casa” e “voltar a trabalhar”. A licença dela termina em poucas semanas e a questão salarial pesa na hora de analisar o custo/benefício de matricular um bebê de cinco meses na escolinha ou voltar ao trabalho. Se ela ficar em casa, não será por isso mais careta, menos cool, mais dondoca ou qualquer coisa do tipo. Essas medidas são individuais e não devem, acho eu, ser rotuladas como “céus, que dondoca”. A guria é uma mega batalhadora e merece não ser julgada pela escolha que fizer!

O ideal mesmo, se me recordo bem das minhas leituras de Bertrand Russel, seria se morássemos em uma comunidade onde as pessoas se ajudassem e cuidassem umas dos filhos das outras. Seria ótimo, inclusive, do ponto de vista do “I, me, mine”, essa mania que a gente tem de criar os filhos para serem “nossos”. Não. Eles são do mundo. Com 13, 14 anos os filhos começam a confrontar os pais e daí pra frente é ladeira abaixo. Ter filho é a arte do desapego.

Vejo várias pessoas desdenhando da maternidade e da paternidade, fazendo parecer como se isso fosse uma escolha dos fracos, dos conformados aos moldes da sociedade. Eu respeito quem não quer ter filho porque não se vê desempenhando o papel de mãe ou pai. Eu mesma, até depois do nascimento da minha filha, já me perguntei se fui feita para esse esquema (mas só porque é uma trabalheira!), mas fico levemente incomodada quando vejo comentários do tipo. A pessoa que decide não ter filhos não precisa atacar quem desejou ter para se sentir bem, da mesma forma que quem tem filhos não precisa atacar quem não quer. O que é possível fazer é sentir prazer em ver que a pessoa está feliz com a sua escolha sem importar qual foi a escolha. Tão simples assim.

Mas para provar o meu argumento de que ser mãe não é sinônimo de não ser cool, segue uma lista de mães que não saíram do filme “The Stepford Wives”:

A fantástica fotógrafa Annie Leibovitz que, com sua parceira, Susan Sontag, teve duas filhas

Kate Moss, diva absoluta da moda e do rock, e sua filha

Gina Crosley-Corcoran: feminista super descolada, ex-integrante da banda de rock Veruca Salt, advogada e mãe! É dela o blog The Feminist Breeder (http://thefeministbreeder.com/)

Não… eu não vou colocar uma foto da Angelina Jolie aqui…

E, para fechar, Gloria Steinem, minha musa, que decidiu não ser mãe:

Gloria Steinem, feminista fodástica que fala coisas que eu gostaria de ter falado, pensado e vivido!

Minha conclusão: todas as formas de ser são cool, contanto que você esteja tranquilo(a) com a sua escolha.

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