Um post que era sobre paternidade acidental e virou uma reflexão sobre aleitamento materno

Eu adoro a Tracy Hogg, a encantadora de bebês. Ela dá dicas maravilhosas que ajudam muito na organização da rotina com o neném. Só tenho um problema com ela: o uso do termo “paternidade acidental”. Termo pesado esse, Tracy! O que quer que você faça, se não estiver dentro das orientações dela, é paternidade acidental. Se você amamentar deitada à noite, é paternidade acidental. Se pegar no colo por muito tempo, é paternidade acidental. Mas assim… sou obrigada a concordar pelo menos em parte com ela. A definição é mais ou menos a seguinte:

Chamamos de paternidade acidental tudo aquilo que fazemos na hora do desespero, quando não sabemos o que fazer, mas no fundo sabemos que não é a coisa certa a ser feita. Exemplos: sair com o bebê se ele não para de chorar, andar com ele no colo pela casa, colocar para dormir na cama dos pais etc. Qualquer decisão não planejada e tomada apenas porque o problema é resolvido de forma mais rápida é chamada de paternidade acidental. Se você não deseja prolongar esse tipo de situação, comece como deseja continuar.

E tem horas que bate um desespero mesmo. Alguns choros são fáceis de identificar, como o da fome, mas cólica, desconforto, cansaço… todos eles se parecem. A minha tendência é oferecer o seio: MEGA PATERNIDADE ACIDENTAL. Tenho trabalhado esse defeito meu. Hoje mesmo a Alis começou a chorar desesperadamente e eu pensei em oferecer o seio. Meu cérebro dizia “é cólica, lide com a cólica” e meu instinto de proteção dizia “faça esse neném parar de chorar, ofereça o seio”. Não ofereci. Fiz aquele exercício de bicicleta com as perninhas e em 5 minutos ela soltou o maior cocô da história! hahahaha

Acho que essa mania de oferecer o seio veio do meu “problema” com o aleitamento materno. Todas as informações que eu já ouvi e li até hoje sobre aleitamento são, em algum nível, conflitantes, mas uma é meio que universal (menos com a Tracy): deixe o neném mamar sempre que quiser para aumentar a sua produção de leite. Quem decide o quanto de leite é necessário é o bebê e não o horário que você estabelece. Mas não com a Tracy. Ela não pensou, enquanto escrevia o livro, que “ah, a filha da Melina parece que precisa ficar 234.999 horas grudada no seio da mãe para se sentir satisfeita, às vezes nem assim, então o EASY de três em três horas terá que ser reescrito para de meia em meia hora”.

Então eu passo pela vida de mãe com essa sombra, a do aleitamento materno que não teve 100% de sucesso. Ontem mesmo eu estava conversando com uma pessoa que, quando eu disse que estava amamentando e complementando, falou “ah”, fazendo uma cara de pena, como se eu fosse uma monstra por fazer isso com a minha filha, e depois disse “a minha cunhada amamentou até o sexto mês, o neném dela é bem gordo, bem saudável, só com leite do seio”. Pooooxa, parabéns pra ela! Eu nem queria amamentar, sabe? Fico com a minha filha colada no meu seio 50.000 horas por dia porque eu não quero amamentar, porque eu gosto de não fazer mais nada durante o dia… não… eu me esforço. Tomo aveia, chá materno da Weleda, como frutas, verduras, sopa (tá quente pra burro, só pra destacar…), tomo uns 4 litros de água por dia, deixo a Alis mamar sempre que ela pede.  Eu gosto muito e quero (!!) amamentar. Se isso é paternidade acidental, eu não sei o que é paternidade intencional. Aliáaas, detalhe importante é que eu também escuto comentários do tipo “se você deixar essa criança mamar sempre que quiser, vai estragar a menina”. Não dá pra vencer, né? Ou você tá fazendo errado ou tá fazendo errado, algumas pessoas vibram com a crítica não-pensada. É intencional o meu esforço, mas não sei se estou estressada porque minha casa está em reforma há meses e eu estou morando com a minha mãe (que me dá uma força danada), porque meu pai está com câncer, porque o próprio leite parece não satisfazer, sei lá, mas o NAN é meu parceiro.

Eu tenho a melhor das intenções, mas como mãe a gente erra mesmo sem saber que está errando, e acho que tem que errar mesmo. Tentar ser perfeita é uma tarefa para pessoas neuróticas, melhor ficar longe desse estilo de vida. A gente tenta implementar o EASY, a gente dá o melhor de si, tenta o aleitamento materno literalmente até a última gota, mas paciência… amamentação ainda é menos importante, na minha opinião, do que a educação que você dá para o seu filho no decorrer da vida. Talvez eu não consiga amamentar até o sexto mês (exclusivamente já era porque a Alis toma NAN desde a primeira semana de vida, quando decidi que não ia deixá-la passar fome e que eu precisava dormir para poder cuidar dela!), mas pode ter certeza que não tem nada de paternidade acidental nessa história.

Mostre-me uma mãe que tenta amamentar e, depois de todos os percalços, complementa com mamadeira e eu te mostro uma mãe que ama o neném dela mais que tudo nesse mundo porque não quer que seu filho ou filha passe fome.

Alis com cara de "êeee, mamãe vai me dar uma mamadeira e eu vou parar de chorar de fomeee!"

E um beijo TODO especial para o amor da minha vida, a minha irmã, que foi alimentada com fórmula e tem sido muito mais saudável que eu nos últimos 30 anos!

13 Comentários

Arquivado em Alimentação & Saúde

13 Respostas para “Um post que era sobre paternidade acidental e virou uma reflexão sobre aleitamento materno

  1. Mel, a Chi falou em vcs chamarem maes pra “complementar” o blog com experiencias pessoais, eu nao sou mae, mas conheco 2 casos, fora o da propria Chiara que sao bem interessantes, alias 3 (na verdade TODA mae tem a sua, digamos que: experiencia) com aleitamento. Pq acho fundamental o esclarecimento dessa questao tao primordial. Num dos casos o medico disse que amamentar e uma troca, tem que ser boa tanto para mae qto para crianca, qdo uma das partes esta insatisfeita e melhor mudar de tatica…. Fica a dica!!

    • melsavi

      Oi, Duda! Valeu!!🙂 Mas assim, se eu deixei entender que eu não gosto de amamentar, me expressei mal. Eu adoro, queria ser uma super mulher leiteira, mas não rolou. Eu tenho bastante leite, só não o suficiente, mas é uma delícia poder ter essa troca com ela.

  2. Lara Peplau

    Muito bom o post, que fala sobre o que chamo de “satanização da mamadeira”. Adoro o blog, parabéns!

  3. Eh bem dificil tentar explicar o que acontece com as mamaes a respeito do aleitamento. Na verdade acho que cada uma apartir do seu instinto materno vai saber o que fazer. Tenho dois filhos e duas experiencias diferentes. Com o mais velho foi dificil ter de amamentar com meu leite, nao que eu nao quisesse, mas jah na primeira semana por mais q eu tenha tentado evitar meu peito rachou terrivelmente e pra completar o Geoff era muito preguicoso, nao pegava direito, entao, alem do peito eu tive de dar mamadeira e como nao tinha mto leite, tive q complementar com formula. Acabou q o Geoff achou mais facil a mamadeira e nao queria mais meu leite preferindo a formula. Sim, eu me senti pessima, mas me disseram q isso acontece e q eu n devia me culpar. Entao dos dois meses aos dois anos de idade q foram de leite formmula. E eh um menino grande e forte! Adora leite!
    Jah com meu segundo filho Oliver nunca deu problema, ateh pq minha experiencia e forca de vontade foram maiores que da primeira vez. Tah sendo otimo poder amamentar e ver o quanto ele gosta. Eh um trabalho bem maior, pq ele quer leite poucas em poucas horas, e ainda de madrugada acorda pra isso. Mas qdo vc quer muito algo, tem de se sacrificar. E eu nao sei o q eh dormir bem a mto tempo. Eu nao me arrependo de ter dado formula pro Geoff da primeira vez, sei q precisei e ele adorou. Mas amamentar eh algo gostoso demais, eu amo.
    Ambos dos meus pequenos sao saudaveis e isso q importa tb.
    A mae sabe o q fazer, ela q vai escolher. Essa eh uma parte mto especial e pessoal nossa. bjs

    • melsavi

      Amei teu depoimento, Iud! Tô na luta! Tenho acordado de duas a três vezes por noite pra amamentar e me recuso a dar fórmula porque é o momento em que o meio seio enche mais. De dia tenho dado mamadeira duas vezes pra poder ter um pouco de tempo, se não ela fica o dia inteiro no seio. Tenho até bombeado pra ver se minha produção de leite aumenta, vamo que vamo!
      Thank you so much for sharing!🙂
      Os teus dois filhos são lindoooos!!! Dois possíveis namorados pra Alis hahaha
      Beijão!

      • Isso ai Mel! Continua na luta, vale muito a pena! Qto aos dois possiveis namorados pra Alis, verdade! Jah estou ateh vendo a briga que vai ser aki em casa…. =))

  4. Mel, apesar de não ter tempo de ler sempre…estou adorando seu blog!
    Falando da minha experiência com o aleitamento, fiz exatamente como vc. E acredito que bombear o leite ajuda muuuuito a aumentar a produção. A Marina também sempre foi muito gulosa e complementei até os cinco meses. Depois disso, com a introdução de frutas e sopinhas, a mamadeira ficou de lado. Bom, pra resumir… ela já completou 2 aninhos e mama até hoje! O meu problema agora é tirá-la do peito. Pra ter uma idéia, ela conversa com o “mamá”, manda beijo, diz que o ama… imagina só!
    Acho que a Tracy iria me achar super peternidade acidental!
    Beijo!

  5. Ana Emília

    Oi Mel! As pessoas falam, né? Jesus! Não temos sossego. Olha, eu sofri com a Anita (não sei se vc lembro de mim, cadavérica e deprimida). Naquela época imperava o 3 em 3 horas, nao se falava em livre demanda e o meu apelido era Hitler (!). Eu dei o melhor de mim. Amamentei até 8 meses e nunca complementei. Mas – ahora – minha nega, deixo mamar quando pede e se rolar o NAN qquer dia desses, vou aproveitar pra tomar mais que uma tacinha de vinho nesse dia…
    Hoje vou tentar escrever sobre o leite gordo e o leite magro, acho que pode te ajudar! Passa lá no quempariu mais tarde, se conseguir. Vamos ver se eu consigo escrever tbm… Bjão

  6. Mel, sofri horrores com comentários do tipo “ah, coitada não tem leite suficiente/tem leite fraco… “eu com esse peito pequeno jorrava leite, que estranho tu com um peito tão grande ser assim…” e etc… dei suplemento desde a primeira semana pq o Pedro mama muito forte desde sempre e no início pegou o peito do jeito errado, logo, meus bicos foram pro espaço por uns dias. As críticas e lamentações foram mil, e eu chorava junto com o bebê, mas sempre dei e sigo dando o peito qdo ele pede. O pediatra dele me deu uma prensa na primeira consulta, explicando a importância do aleitamento e o qto são fortes os NAN da vida e td mais (cumpriu o papel dele, claro), já na segunda consulta expliquei que mamada sim mamada não ele toma 60ml de suplemento. Daí o pediatra viu que boa vontade e um filho faminto eu tenho de sobra haahaha o bom é que com o auxílio do médico acabei com a “satanização da mamadeira” aqui em casa.🙂

    Ótimo texto! É super importante a gte não se sentir só na luita pelo aleitamento materno+suploemento.. o Amor sempre se sobresai à forma de alimentar o filho😉 bj

    Ah! substituí o NAN pelo Aptamil da Danone, as cólicas quase sumiram e ele consegue encher as fraldas todos os dias. O chá de Endro ajuda bastante. E contrário ao que dizem, nada disso diminuiu a vontade do Pedro de se grudar no meu peito qdo bate a fome!

    • melsavi

      Tati,

      Também sempre me falavam que a Alis ia desistir do peito se eu começasse a dar mamadeira. As pessoas deveriam oferecer ajuda e apoiar mais em vez de desencorajarem e dificultarem ainda mais as coisas, né?

      Beijo!

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