Amamentação: Parte 1

Hummm, como será que devo começar esse post? Aliás, acho que demorei muito para voltar a escrever aqui porque eu já tinha definido que o tema seria: Amamentação.

Vamos lá!

Quando eu estava na maternidade, assim que o efeito da anestesia passou fui levada para o quarto e ai, nesse momento, fui apresentada ao processo de amamentação. Foi fantástico ver o instinto e a vontade que a Valentina tinha para mamar. A pega dela era perfeita, as enfermeiras elogiaram imediatamente. Eu senti uma “agonia” com aquela sucção e a impressão que tive é que não estava saindo nadinha, mas o que importava naquele exato momento era o estimulo para que o leite efetivamente “descesse”. Os bebes nascem com uma reserva e por isso não sentem tanta fone nas primeiras 48hs, justamente o período em que você está na maternidade e tem a impressão que é tudo muito fácil e simples. Momentos antes de ir para casa percebi que a postura da Valentina em relação a fome já era outra. Ela começou a querer mamar a todo o instante e comecei a ficar cansada, eu não conseguia me recuperar e lá estava ela faminta novamente. Quando chegamos em casa ela continuou incansavelmente no processo de querer mamar e nada do leite.

Bem , nessa altura do campeonato meu peito começou a ficar sensível, vermelho e finalmente machucado. Eu fiquei com uma ferida nos dois mamilos, mas um era significativamente pior. Isso aconteceu na quinta- feira de noite e a Valentina nasceu na terça. Eu olhava para ela e pensava… “tem alguma coisa errada, não pode ser assim dolorido amamentar”. Foi então que eu pedi para o meu marido sair para comprar uma lata de fórmula. Eu estava no meu limite e sabia que seria outra noite de fome intensa, mas ou eu morria de dor, ou ela brincava de mamar, porque leite que era bom eu não tinha. Resolvemos dar a mamadeira e ela mamou tudinho e capotou, a coitada estava faminta. Eu finalmente dormi.

No dia seguinte quando acordei e olhei meu peito ele estava enorme, quem me conhece sabe que ele já é enorme e estava o dobro, uma coisa assustadora. O leite começou a descer, mas eu não conseguia amamentar porque meus machucados estavam sangrando, uma coisa assustadora.

Bem, foi nesse momento que começaram as mandingas populares.. rsss. Peguei uma bombinha emprestada, mas só saiu sangue do meu peito.. foi deprimente. Então resolvi seguir as crenças e fui tomar um banho quente para estimular o leite a descer… nada feito. Então começou uma sessão de massagem e nada do leite sair. Meu peito estava começando a ficar muito duro e vermelho e foi ai que comecei a me apavorar com a ideia de ter mastite. A melhor coisa que aconteceu foi a ligação de uma amiga que indicou o banco de leite da Maternidade Carmela Dutra – Fpolis/SC. Quando eu decidi ir eram 18:30hs e eles fechavam ás 19hs, mas a anja que me atendeu deve ter percebido o desespero na minha voz e disse para eu ir rápido que ela me aguardava.

Fui chorando de casa até a maternidade, minha amiga que estava dirigindo já não sabia mais o que me falar, eu passei 4 meses de repouso para evitar um parto prematuro e tudo o que eu mais queria era ficar com a minha filha, mas não eu tinha que tirar aquele leite de dentro de mim. O fato é que nos sentimos incompetentes por não conseguir amamentar e as pessoas no geral não ajudam e pior… fazem você se sentir mais incompetente ainda. Poxa!! Você acabou de ter bebe, é um bum hormonal federal…. foram 4 meses tomando progesterona que é o hormônio mãe da gravidez e ai de um dia para o outro tudo muda radicalmente e acredite, isso não é drama.

Não espere que as pessoas te liguem e perguntem se está tudo bem, se você está sentindo dor, se você dormiu, comeu… o que você vai escutar é “E ai?? O bebe mamou? Ele está pegando direitinho? Ele mama bem? Ahhhhh!!!! A vida pós –parto se resume a isso inicialmente: Amamentar .

Continuando…. na maternidade a enfermeira anja me deu a “feliz” noticia de que eu tinha feito tudo errado. Eu tinha leite, mas meu leite não saia devido aos edemas no meu seio, eu estava retendo liquido e isso impedia a saída do leite, ou seja, eu não poderia ter passado o dia estimulando o leite descer. Depois da bronca começou a tortura, olha eu chego a ficar com ataque cárdia de lembrar a dor e o sofrimento emocional e físico que eu senti. A anja me ensinou a fazer ordenha manual, quando ela fazia saia muito leite, mas quando eu fazia não saia quase nada. Foram três horas de ordenha manual, a enfermeira de um lado e minha amiga de outro e a única coisa que eu conseguia fazer era chorar, eu acho que o que eu derramei de lágrimas dava para alimentar a maternidade inteira. Foi um processo muito dolorido e difícil para mim e a enfermeira me disse que a maioria das mulheres esquecem a dor do parto, mas a dor e os problemas iniciais da amamentação jamais são esquecidos.

Loucura, loucura…. se você tem leite é impossível não fazer nada… é preciso tirar ele de dentro de você de forma natural (amamentação) ou ordenha manual/bombinha.

Questionei a enfermeira sob a possibilidade de não querer mais amamentar porque naquele momento eu achei que não iria sobreviver a tanta dor, mas eu estava ali no antro da amamentação e a anja só me dava forças e dizia que em alguns dias estaria tudo bem e eu pensava.. Dias??? Eu só conseguia pensar em desistir porque para mim aquilo estava longe de ser normal e natural.

Outra coisa que chamou minha atenção foram os cartazes fixados das paredes com as fotos das globais lindas e maravilhosas amamentando. Que absurdo!! E eu lá…toda acabada, dois dias depois do parto, mega inchada e sem Photoshop.

Depois que a tortura acabou a enfermeira me indicou uma pomada para as rachaduras e orientou que eu não ingerisse líquidos e pediu para que eu fizesse ordenha manual de duas em duas horas e compressa de gelo. Oi?? Eu acabei de ter bebe e estou morta! Eu estava literalmente acabada.

Quando cheguei em casa fui direto para a internet procurar o nome do remédio que eu deveria tomar para parar com a produção de leite, gente eu estava em pânico! Passei a madrugada fazendo ordenha e gelo porque eu

Aprendendo a mamar :)

Aprendendo a mamar🙂

não poderia imaginar passar por todo aquele sofrimento novamente e sim a Valentina tomou mamadeira com fórmula e nada de cara feia leitoras. Agradeçam que as fórmulas existem pois um dia você poderá precisar delas. O fato da Valentina mamar na mamadeira meu deu forças e uma certa paz de espirito pois eu sabia que minha filha estava sendo alimentada. No dia seguinte de manha resolvi tentar amamentar e consegui durante um tempo. Eu sentia muita, mas muita dor. De  tarde voltei para  a Maternidade para uma reavaliação no meu seio e já estava bem melhor, fui orientada a levar a Valentina no dia seguinte para que as enfermeiras me ensinassem amamentar corretamente.

Foi a melhor coisa que eu poderia ter feito, a Valentina pegou o peito direitinho e mamou durante 40 minutos sem parar. Quando o bebe faz a pega corretamente você não sente tanta dor, mesmo estando com o mamilo machucado.

A partir desse dia eu e a amamentação viramos amigas inseparáveis e a Valentina amou é claro e eu… mais ou menos! Amamentei durante 5 meses e sempre utilizei mamadeira como apoio. Nesse período aprendi algumas coisas e cheguei as minhas conclusões e prometo mais uns dois posts sobre o assunto.

Momento: barriguinha cheia

Momento: barriguinha cheia

Essa é definitivamente uma questão muito pessoal, nesse sentido gostaria de alertar nossas leitoras que cada um tem sua experiência e percepções sobre o tema abordado.

Dicas:

Você não tem leite:

– tome banhos quentes;

– use bolsa térmica;

– faça massagem nos seios para estimular;

– abuse dos líquidos.

Você tem muito leite e quer diminuir a produção:

– não abuse dos líquidos;

-depois de amamentar coloque compressa de gelo nos seios;

– fique longe do vapor quente do banho;

– use um sutiã firme que evitem a movimentação dos seios;

– doe seu leite para os bancos de leite.

*Caso você tenha dificuldades no processo de amamentação busque ajuda, isso é fundamental para o sucesso do processo e para sua paz de espirito. O pediatra de uma amiga disse que “amamentar é como sexo… tem que ser bom para os dois envolvidos”. Lembre-se de investir em sutiãs próprios para amamentação, absorvente para os seios, pomada especial para hidratar o mamilo, almofada de apoio para amamentar,  blusas e vestidos com abertura frontal e tampões de ouvido para não escutar as besteiras que as pessoas falam. Em alguns dias você estará expert e vai dair pela casa amamentando e falando no telefone ao mesmo tempo, usando o comutador, comendo.. rss.  Siga seu instinto maternal e não encare a mamadeira como uma vilã pois ela pode ser sua aliada na jornada de amamentação.

Beijos!

7 Comentários

Arquivado em Alimentação & Saúde

7 Respostas para “Amamentação: Parte 1

  1. Caca

    Eu jamais imaginei, antes de ser mae, que amamentar poderia ser uma das coisas mais dificeis da maternidade. Pra mim era algo muito simples e natural, que jamais requereria “trabalho”. Meu leite demorou a descer e tive que trabalhar nao so pra producao aumentar como tambem na pegada da Florence, que mordia ao inves de sugar. Amamentar e uma delicia e gracas a Deus e ao meu esforco e determinacao que consegui resolver meus problemas com a amamentacao e que virei expert que nem disse a Chi.

    • Chiara

      Cacá, vc não acha que falta informação em relação a amamentação? Parece um processo natural, mas todas as meninas que tiveram filho recentemente tiveram algum tipo de problema e a minha mãe disse que na época dela a maioria das mulheres enfrentavam algum tipo de dificuldade tbm. O negócio é divulgar….. rsss

  2. Marina

    Chiara, amei o post! O Theo, por ser muito pequeno, jamais conseguiu sugar, ele não tinha forcas… Eu fiz ordenha manual durante todo o período dele na UTI, cerca de dois meses, quando ele foi pra casa eu não dei conta de conciliar todas as tarefas com a ordenha, afinal de contas eu precisava dormir pelo menos 1 horinha, hehehe! Meu leite secou, peito empedrou, usei antibiotico, jah podes imaginar. O Theo mamou meu leite por 3 meses, no ultimo, tambem usei formula, me considero uma vencedora, tendo em vista que ele nunca sugou.
    Acho que a pressão com a amamentacao eh muito grande, as pessoas te olham com cara feia se usas formula, mas eu fico feliz por elas existirem, no começo me achei a pior mãe do mundo, queria ter conseguido fazer algo mais, mas, em alguns casos não tem como, hoje eu dia sei que fiz tudo que eu pude, e que eu seria uma péssima mãe se eu tivesse deixado ele passar fome o que não foi o caso!
    A amamentação eh muito romanceada… Na verdade, eh um processo doloroso e que requer paciência, pelo menos na fase inicial. A Maria esta chegando e eh claro que eu quero muito conseguir que ela mame no peito exclusivamente, porque sei o quanto eh importante e mais saudável, mas se isso não for possível, não vou ficar me julgando como da primeira vez.
    Marina

    • Chiara

      Adorei o desabafo, concordo que a amamentação é muito romanceada e que os cursos para gestantes, livros, pessoas, a mídia, etc….ninguem nos prepara para as dificuldades, para a possibilidade de não conseguir amamentar. Isso é sério e deveria ser de competência dos órgão públicos voltados à saúde preparar as futuras mamães e a família para a simples possibilidade de não conseguir amamentar. Tenho certeza que os casos de depressão pós – parto seriam inclusive menores. Nos sentimos recriminadas por nossas famílias, amigos e sociedade por ter dificuldades e muitas vezes, por não conseguir amamentar durante 6 meses. Continue participando🙂

  3. Elisandra Santos

    Amei o post! Sobre a amamentação, o mais válido mesmo, é a vivência de quem passou por ela..
    Minha filha tem nove meses. Eu não tive muito leite. No terceiro dia eu tive de dar complemento para minha filha que já estava berrando de fome. Detalhe: o leite desceu no nono dia! Foi triste e frustrante, pois eu havia acumulado expectativas quanto à amamentação. Além disso, a obstetra havia dito que eu não teria problema algum em amamentar, pois meus mamilos eram bem formados. Pôxa vida, Eu não tirava a Maria Fernanda do meu peito, a pega era perfeita, fiz de tudo e o leite vinha em “gotas homeopáticas”… minha cunhada e minha sogra me disseram para eu então deixar secar o leite (que vinha tão pouco, mas tão pouco). Também há aquela situação de você precisar de uma orientação e as as pessoas te vem dizer que você não fez direito, não se esforçou… dá vontade de pular no pescoço do infeliz que te diz isso, no meu caso foram vários infelizes…

    De certa forma, a minha parte eu fiz sim! Insisti até quase sete meses, minha filha tomava então aquelas “duas colheres de sopa” de leite materno antes do complemente, foi sempre assim, não deixei secar. A gente romanceia muito, espera muito… Não é tudo aquilo que nos dizem nos cursos de maternidade. Não foi fácil e minha conclusão é que não preparam a gente pra essa segunda opção: se vc não conseguir amamentar. Na verdade, isso é mais comum do que imaginamos. Só dizem que vc tem de amamentar! Fazem você acreditar que tudo vai dar certo, falam da pegada, falam das rachaduras nos mamilos, falam da ordenha, mas não falam que você pode não conseguir amamentar. Eu fiz de tudo e não consegui! Me senti falida, com “defeito”…

    Se tiver uma segunda chance, digo, segundo filho, vou ser mais tranquila, se der tudo certo e conseguir amamentar exclusivamente com o peito – embora eu não acredite nisso, ótimo! Agora se, de novo, não for possível, vou desencanar mesmo e tratar de ser mais feliz com meu bebê.

    • Chiara

      Olá Elisandra, adoramos conhecer a sua experiência! Realmente concordo com você, não nos preparam para a possibilidade de simplesmente não ter leite e isso é natural para algumas mulheres. Cada cordo é um corpo e as campanhas de amamentação deveriam englobar as dificuldades para amamentar, assim como, a possibilidade de você não produzir leite. Vamos debater mais esse assunto no blog, continue participando!

  4. Duda

    Adoro as historias do blog e mais ainda quando rolam comentarios produtivos, trocas bacanas de experiencia, eu nao sou mae, mas gosto muito de debater “”me meter” nos assuntos desse manheirinha de primeira viagem…

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