Pais como Segundo Sexo na Maternidade/Paternidade

Encontrei um artigo interessante no blog Motherlode, do New York Times, onde um pai reclama as pitangas e se questiona se os homens são, no quesito paternidade (até a palavra favorece o sexo deles), o Segundo Sexo.

Achei interessante a reflexão porque ele levanta a questão de que muitos pais “botam a mão na massa” no mesmo nível que as mães, mas não pude deixar de sentir no tom dele um certo recalque. Os homens já são super favorecidos na nossa sociedade: ganham mais em vagas também ocupadas por mulheres, sempre tiveram direito de voto e quando escolhem ficar em casa para cuidar dos filhos é justamente isso, uma escolha, enquanto mulheres até muito pouco tempo atrás (pouco tempo mesmo) nem tinham a escolha de não ficar em casa. Até linguisticamente eles são colocados em primeiro lugar, poxa, no tal do machismo linguístico, onde tudo é colocado no masculino se um dos elementos for “menino”. Aliás, essa reflexão toda é apenas para o mundo ocidental, e nem todo ele, claro. Generalizações são ferramentas de raciocínio prático, então peço para a leitora ou o leitor ter isso em mente.

O autor do artigo reclama que quando ele e a esposa levam o filho ao médico, este se dirige à sua mulher e não a ele. Quando a babá entra em contato para avisar que algo está errado, fala com a esposa. Quando os professores da creche pedem suprimentos, pedem também para a esposa.

Eu acho ótimo (!!!) que os homens dividam as tarefas de criação dos filhos com as mulheres, é mais do que essencial, e é bom para os pais e para os filhos, mas me parece um pouco exagerada a reação dele. Por favor, né? Quer ser ouvido pelo médico? Fale mais alto, explique que você cuida do seu filho tanto quanto a sua mulher em vez de reclamar num artigo como você é incompreendido pelo mundo. Nós mulheres já tivemos que lutar pelo nosso espaço em territórios que são tradicionalmente “deles” (e o fazemos todos os dias), e o espaço da maternidade é um espaço que, culturalmente, é nosso. Talvez não seja “natural”, “da nossa natureza”, talvez seja mesmo uma construção social, mas é um espaço que há tempos é nosso. A maior parte das mulheres desempenha esse papel com alguma naturalidade, tranquilidade, mesmo que isso só venha com o tempo (o que dá a dica de que não é tão “natural” assim, talvez? Não sei). Culturalmente, esse papel de Primeiro Sexo no cuidado dos filhos meio que nos pertence, da mesma forma que um dia o papel de “trabalhador” pertenceu apenas ao homem, mas as mulheres se impuseram e foram atrás daquilo que queriam, e os homens podem fazer o mesmo.

Talvez o autor, em reclamar, esteja fazendo a parte dele em busca de reconhecimento, mas eu, como mulher, identifiquei (e isso é interpretação minha, claro) um tom de criança pequena fazendo manha porque a professora não deu bola pra redação que ele leu em classe.

Nós queimamos sutiãs, homem, e continuamos sendo mães, muitas vezes trabalhando, cuidando dos filhos e de casa ao mesmo tempo, então faça-nos o favor de pedir para entrar no nosso grupinho com mais atitude e menos nhé nhé nhé. Pega e entra, ajuda, assume. Nós mulheres não somos mesquinhas, nosso grupo está aberto a novos membros, sejam eles do primeiro ou do segundo sexo.

Um dia nós mulheres fizemos isto!

 

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Arquivado em Gravidez, Vida de mãe

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