Somos Mães, We are Mothers

Quando eu tinha 18 anos, cursei um semestre de graduação em cinema. Não levei adiante, resolvi cursar Letras Inglês. Na mesma área fiz mestrado e acabei de passar para o doutorado em Feminismo e Estudos Culturais. Mas, dessa época do cinema, lembro de uma discussão que vira e mexe tinha com os colegas: como seria assistir a filmes sabendo como se faz filmes? Prestaríamos atenção aos detalhes técnicos do início ao fim ou conseguiríamos nos afastar da teoria temporariamente para curtir o filme? A resposta veio cedo, na primeira vez que fui ao cinema depois de cursar algumas matérias: sim, a teoria foi para as cucuias e consegui mergulhar na história como sempre fiz, sem teorias e análises cinematográficas.

Mas por que conto isso? Porque meu projeto de doutorado tem a ver com o universo deste blog, mais especificamente com auto-representação de maternidade em blogs e representação de maternidade em recursos jornalísticos. O que vai acontecer nos próximos 4 anos é uma imersão tão profunda nas teorias sobre maternidade que, quando me dei conta disso, fiz a mesma pergunta de anos atrás, só que diferente: será que vou conseguir ser mãe sem pensar nas teorias que vou ler sobre o assunto? Será que vou conseguir separar o conhecimento da experiência? Será que quero separar o conhecimento da experiência? Acho que não, mas isso só o tempo dirá. Mas a minha expectativa é poder contribuir aqui no blog com discussões legais sobre o assunto, informadas por essas teorias que vou ler, e estou empolgada! O que eu percebo é que existe uma comunidade crescente de mães blogueiras que querem falar sobre maternidade e não apenas viver a maternidade pra encontrar novas formas de educar, comparar para melhorar, apoiar para consolar, para ajudar. Nós, como diz a Melissa Shultz no texto “We are mothers” [Somos mães], “somos solteiras, casadas, divorciadas, gays, heteros. Somos perfeitas; somos imperfeitas; somos duronas, somos molengas; bancamos os consultórios dos terapeutas. Somos médicas não-licenciadas, perpetuamente em plantão para remediar doenças e consertar corações partidos”. E eu e a Chi queremos justamente discutir isso tudo aqui no blog e muito mais: falar da diversidade de experiências que a maternidade traz. Tá certo que o nosso público é bem claro: mães. Mas assim… com tantos blogs sobre os mais diversos assuntos blogosfera a fora, sem problemas termos um espaço só pra gente e para todos os simpatizantes da “causa”.

Bom, mas chega de blá blá blá. Como eu disse, passei na seleção de doutorado em Feminismo e Estudos Culturais e a partir de agosto o tema maternidade será meu feijão com arroz, mas antes vale a pena conferir um documentário americano sobre o movimento feminista nos EUA, um documentário que mostra como o senso comum às vezes interpreta o movimento de um jeito bem errado. Pra começar com pé direito no assunto, que tod@s assistam pelo menos aos dois primeiros blocos para ter uma ideia legal de como foi e o que essas primeiras gerações nos garantiram com suas lutas (embora o terceiro bloco também seja ótemo, mas os dois primeiros mostram as origens da segunda onda do movimento feminista):

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Uma resposta para “Somos Mães, We are Mothers

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