O Ministério da Saúde adverte: Não tente imitar a mulher maravilha

Image

No ano passado a Chiara publicou um post com esse título, mas ele é tão apropriado para o meu momento que resolvi roubar (perdoa?). Eu andei tentando imitar a mulher-maravilha e, a-di-vi-nha? Não deu certo. É porque não dá mesmo. Tentar fazer 50.000 coisas ao mesmo tempo nunca dá. Eu basicamente calculo o que posso assumir de trabalho + obrigações do doutorado + maternidade e determino um tempo pra cada coisa por dia. Mas eu sou tolinha e esqueço-me de um detalhe nada menos do que essencial da vida: as variáveis. Nada que você pretende fazer dura exatamente o tempo que você estimou, e basicamente porque o mundo não é esse lugar lindão, todo cósmico e espiritualizado que se adapta às suas necessidades. As variáveis vêm e BAM nos seus planos. Sono, por exemplo. Peguei uns freelas superdivertidos de tradução e de jornalismo. Legal, curto trabalhar e fico grata sempre que rolam freelas legais. Eu sou do tipo que prioriza trabalho freela porque gosto da ideia de ser chamada cada vez mais para fazê-los, então tá, esse é um detalhe. O outro detalhe é que eu tenho dois artigos do doutorado para entregar nas próximas duas semanas, então separei as noites para trabalhar neles, mas entra aí a variável #1, o sono, prova de que não adianta tentar ser mulher-maravilha, porque ela provavelmente não tem sono. Outro detalhe tipo que também super-mega-hiper importante: a variável Alis. Filho é um bichinho dependente. Não dá pra esquecer na frente da TV e deixar que se vire (embora, né, aconteça em momentos de grande necessidade): tem que educar, brincar, participar, preparar refeições saudáveis, dar banho, trocar fraldas e tal. Tem gente que não curte conciliar tudo isso. Eu curto. Eu quero ser a mulher-maravilha, quero mesmo, com todas as minhas forças, mas percebi que não rola. O que eu percebi ontem, depois de ir dormir às 23:30h um caco de gente, é que não dá pra tentar ter tudo, ser tudo e ainda fazer bem-feito, então resolvi priorizar. Vou começar a dizer não. Vou dizer sim para traduções, que é um trabalho que eu acho divertido e que tem poucas variáveis: eu, meu cliente, meu computador e a internet. Vou dizer sim para o doutorado porque é uma escolha minha que, além de eu achar que tem o poder de enriquecer meus conhecimentos, constrói um futuro profissional pra mim que eu quero desde que decidi fazer letras-inglês. Vou dizer MEGA-SIM pra Alis porque, lendo um livro muito interessante da Elisabeth Badinter chamado The Conflict: How Modern Motherhood Undermines the Status of Women [O Conflito: Como a Maternidade Moderna Enfraquece o Status da Mulher, ainda sem tradução no Brasil], comecei a me fazer a pergunta que ela faz no livro: por que as mulheres querem ser mães? Das mulheres que não querem ser mães, sempre esperamos respostas, mas nunca perguntamos para aquelas que são mães os porquês da decisão delas, e isso ficou na minha cabeça até que eu cheguei em algumas respostas:

1. Porque eu sempre quis ter uma família construída por mim (+ namorido, of course)

2. Porque eu não acho que deixo de ser autônoma ou de ter individualidade simplesmente porque tenho que me doar imensamente para outro ser

3. Porque não acredito que perder-se um pouco no outro é perder-se, mas achar outro lado de si mesm@

4. Porque gosto de festas de Natal cheias de gente

5. Porque gosto de cafés da manhã agitados

6. Porque adoro ouvir barulhinhos de outras pessoas fazendo coisas pela casa

7. Porque quero envelhecer sabendo que tenho filhos que, espero, serão também (e principalmente) amigos

Acho que os motivos nem param por aí, consigo pensar em vários outros para “justificar” a minha decisão, mas nem acho que é bem por esse caminho que a autora leva a discussão, esse foi apenas o rumo que o meu pensamento tomou. O livro, na verdade, levanta questões interessantíssimas sobre como a nossa sociedade controla o lugar da mulher no mundo de diversas formas, entre elas por meio do controle da desigualdade de salário entre homens e mulheres, forçando a mulher a ser a pessoa a escolher ficar em casa caso o casal decida não colocar o neném na escolinha para os dois trabalharem (alguns países nem têm essa opção da escolinha tão fácil quanto no BR, vale lembrar). Num cenário desses, que casal vai escolher tirar do mercado de trabalho a pessoa que ganha o melhor salário? Enfim, estou no comecinho do livro, mas estou gostando da abordagem levemente radical da autora porque precisamos, sim, pensar em como a sociedade nos impõe opções que talvez não seriam as nossas primeiras escolhas de tivéssemos sequer a chance de reconhecer as outras escolhas para, então, escolher.

Image

A realidade da mulher-que-não-é-maravilha: métodos mnemônicos para levar o básico do básico: almoço da cria

Pra finalizar, faço três considerações: (1) tentar ser mulher-maravilha dá trabalho, é preciso analisar se compensa ou não; (2) ler o livro da Badinter faz bem para acordar certas partes do cérebro que ficam dormentes com tantas mensagens subliminares mundo afora ditando o que temos que fazer/escolher/ser e (3) esquece o que eu disse no item #1: mulher-maravilha não existe, é um mito criado por pessoas neuróticas que acreditam que podem dar conta de tudo (myself included).

E desejem-me sorte para terminar os meus artigo a tempooo!

Beijo!

1 comentário

Arquivado em Vida de mãe

Uma resposta para “O Ministério da Saúde adverte: Não tente imitar a mulher maravilha

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s