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Como conciliar maternidade e profissão?

Bom, eu não tenho uma resposta, estou trabalhando para encontrá-la (literalmente – haha).

A Alis ficou doentinha há duas semanas, por exemplo. Eu fiquei de atestado com ela, mas trabalhei mais do que eu trabalharia na empresa, eu acho. Rolou uma culpa do tipo “ai, céus, talvez a minha falta prejudique a empresa”. Agora, com um distanciamento de alguns dias, já acho que exagerei. Eu conseguiria ter trabalhado um pouco menos, cuidado melhor da Alis, feito as coisas com mais calma e menos afobação. Mas a gente tem um pouco essa cultura da culpa entre as mulheres, né? A gente acha que consegue e tem que fazer tudo pra não faltar nada pra ninguém. É admirável e levemente neurótica essa postura, não é não?

O que mais pesa é o cansaço. Eu acordo (eu não, a Alis!) cedo para amamentar, me arrumar, arrumar a Alis para a escolinha, tomar café da manhã, me maquiar (né?) e tal. Trabalho. Almoço. Cuido da Alis. Trabalho mais. Lavo roupa. Passo roupa. Dou vitamina (ad-til) pra Alis. Amamento mais umas 5 vezes durante o restante do dia. Dou banho na Alis. Tomo banho. Faço pilates duas vezes por semana. Faço uns ranguinhos para o marido pra ele não se sentir 100% abandonado. E depois que a Alis dorme eu trabalho mais um pouquinho para conferir os e-mails e me planejar para o dia seguinte. Ufa, cansa só de escrever. Além disso, a Alis acorda de duas a cinco vezes por noite para mamar, então chega no final do dia eu estou me arrastando.

Eu não acho isso tudo ruim, por mais que eu reclame de ser cansativo. Acho que é mais uma questão de se organizar e priorizar do que de jogar as mãos para o alto em desespero. Não. Não é questão de desespero mesmo, porque é tudo muito gostoso. Trabalhar é bom porque você sente que está fazendo algo por você e pela sua filha ou filho, que no futuro vai olhar pra você e dizer “uaaau, minha mãe é XXX” e tal. É legal servir de exemplo para uma das pessoas mais especiais do mundo pra você, e que seja um bom exemplo. Mas sim, vira e mexe eu me pego sonhando em largar tudo e ficar em casa com a Alis, curtindo uma vida bem de mãe, mãe com tempo. Amei todo o período da licença-maternidade e sinto muito por ela não poder durar mais e mais e mais. Ser mãe é trabalhar sim!

A conclusão é que acho que não tem muito segredo, mas dia desses li uma frase que me inspirou (duas palavras, na verdade) num artigo do NYT sobre mães que trabalham, sobre “como dar conta”: “be relentless”. Ou seja, seja persistente, implacável. Em bom português, algo como “não deixe a peteca cair”. E assim vou seguindo, com essa sugestão na cabeça e muita, mas muita força de vontade e paciência com as dificuldades do trabalho. Porque na maternidade, tirando o cansaço, que é normal para todas as mães, tá tudo bom demais!

Melhor momento do dia! (:

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Existe trabalho após a licença-maternidade

Minha mesa de trabalho: Alis no porta-retrato para me inspirar

Na sexta-feira passada eu, Verde e Alis estávamos comendo uma deliciosa tainha na casa de amigos e o anfitrião perguntou “E aí, Mel, como foi voltar ao trabalho depois de ganhar a Alis?”. Eu, até para a minha própria surpresa, respondi “melhor do que eu esperava”. E é exatamente isso que sinto. Eu ainda tenho, claro, várias preocupações, mas todas são relacionadas a gripe (ela está gripadinha, btw). Essa é a minha maior noia. Passo o dia verificando se a Alis está bem e se o nariz está em pleno funcionamento (três nenéns gripadinhos na sala dela quando começamos a adaptação – sim, porque a adaptação não é para os nenéns, e sim para os pais… ou, neste caso, a mãe, porque o pai estava supertranquilo com o fato de colocar na escolinha). Mas eu não esperava que essa fase de transição fosse tão tranquila. Eu gosto de trabalhar. Curto chegar no trabalho, ligar o computador, checar os e-mails, ler as manchetes e, depois, no meio da manhã, tomar um café e olhar a minha agenda para ver se estou esquecendo de alguma coisa. Eu imaginava que esses momentos seriam cheios de tensão, de pensamentos do tipo “céus, como será que a Alis está na escolinha?”, mas thank God temos condições de pagar uma boa escolinha e o máximo que me passa pela cabeça é um pensamento super egoísta: será que a Alis está com saudades de mim?

Eu consegui gerenciar as coisas de forma que a Alis fica na escolinha apenas no período matutino, então sei que sou sortuda. Não sei se teria voltado a trabalhar se a situação fosse outra e eu tivesse que deixá-la em período integral. Sei que muitas pessoas não tem essa opção e, novamente, thank  God  que eu tenho.

A Alis também se adaptou superbem (comecei o post com a minha adaptação, que vergonha!). Percebi que as escolas têm uma demanda menor pela manhã (por que eu não sei!), e nem sempre os pais levam os filhos, então na turminha da Alis, que é cheia de nenéns fofos, tem sete alunos, mas nem sempre tem sete, entende? As tias (sempre me lembro de uma professora muito braba que falava “eu não sou tia de ninguém aqui!”) são uns amores e isso dá uma segurança danada.

Então sim, eu estou bem, a Alis está bem e antes de voltar ao trabalho eu não esperava responder a perguntas como a do meu amigo positivamente. Imaginava uma lágrima saindo de um olhar dramático e muito sofrimento por trás disso tudo, mas não… está tudo bem e, imagino eu, tudo continuará bem. Tomara!

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