Arquivo do mês: setembro 2012

Pensando [um pouquinho] em mim

Altamente #monotema no Instagram

Eu não acho que sou uma pessoa que esqueceu de si depois que a filha nasceu. Tenho bem menos tempo pra mim, isso é fato mais do que provado e comprovado, mas ainda me sinto bem “eu”. O que rola é que tenho que determinar bem os “tempos de Melina”. Faço, por exemplo, pilates duas vezes por semana, isso é sagrado. Minha mãe fica de babá e me divirto horrores tagarelando com a minha professora e colega de aula. E fazendo pilates, claro (haha). Para fazer as programações que costumava fazer com as amigas, carrego a Alis junto, o que significa que preciso tomar uma cerveja em vez de três (quem que estou tentando enganar? Em vez de cinco, prontofalei) e conversar menos e trocar mais fralda, amamentar, trocar roupa suja de xixi e cocô e contar SEMPRE com a boa vontade de alguma amiga bem disposta para cuidar um pouco da Alis para eu poder socializar com adultos. Quando quero pegar uma balada (uma desde que a Alis nasceu), peço pra minha mãe cuidar. Quando quero ir ao cinema (6 vezes desde que a Alis nasceu uhuuu!), também. Uma coisa que eu realmente não consegui me agilizar pra fazer – não me julguem por favoooor – foi ir à manicure. Não deu ainda, e não consigo nem explicar direito o porquê. Cada vez que olho para as minhas unhas eu penso “largada, você está largada”, mas me olho no espelho e vejo que consegui pelo menos me maquiar antes de sair de casa e penso “ok, nem tudo está perdido”.

Um fato bem real que talvez possa sinalizar que não tenho pensado muito em mim é que minhas fotos do Instagram são, de longe, muito mais da Alis do que de qualquer outro tema no mundo. Estou me considerando uma pessoa #monotema nessa rede social, mas poxa, olha a modelo que eu tenho, não é culpa minha.

Tempo pra ler também me falta, e essa é uma coisa que considero bem “tempo de Melina”, mas estou bem paciente nesse sentido. Sei que essa correria inicial é passageira e em breve a Alis estará no cantinho dela, brincando, e vou poder tirar uns minutinhos (nem que seja do ladinho dela – hmmm delícia!) pra ler.

Me falta tempo para viver do jeito que eu vivia na era pré-Alis, mas sinto que ainda sou bem “eu”, sinto que as mudanças que aconteceram em mim não foram no sentido de me anular como pessoa (é que eu escuto as pessoas falando isso às vezes, que as mães se esquecem em função dos filhos). Eu me sinto bem mais completa hoje, se é que isso conta. Me sinto realizada, focada, cansada às vezes, mas tranquila com a correria do momento porque sei que esse primeiro ano demanda um pouco mais de atenção constante porque os bebês ainda não caminham, falam e tal.

Os produtores da pequena Alis, responsável por taaaantas mudanças 🙂

O que sei é que, se existe essa anulação de si mesma, ela é natural, não é uma coisa intencional, e certamente pode ser bem temporária. Nenéns não fazem nada sozinhos (a não ser serem absolutamente deliciosos), então você meio que tem que se doar 110% e não se priorizar por um determinado período. O importante, eu acho, é manter em mente que você não pode se esquecer inteiramente, só um pouco, só aparentemente, só o suficiente para ser uma boa mãe, uma boa esposa, uma boa pessoa, uma boa profissional. Cada um sabe o quanto pode se doar para não se prejudicar, então saber essa medida é a chave. Mas essa é só a minha experiência e opinião, e isso sim cada um tem a sua.

Só sei que tá tudo muito gostoso nessa história de ser mãe. Trabalhoso, sim, mas muito massa. Certamente é um período de grandes autodescobertas!

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Arquivado em Vida de mãe